O bancário Jorge Couto tem história. Ele começou a trabalhar no Banco Mercantil de São Paulo em 1956 e, de lá para cá, viveu com grande intensidade todas as fases que a categoria passou. Filiado ao Sindicato desde 57, está deixando a diretoria agora, depois de vinte anos de dedicação. Não é exagero afirmar que Couto é um patrimônio da categoria bancária. Ele esteve na linha de frente das principais lutas e, conseqüentemente, das principais conquistas dos bancários nas últimas décadas. Apesar de toda experiência acumulada, Couto se recusa a ser chamado de senhor. A seguir, os principais trechos de uma entrevista dada por Couto para a Chapa 1, que presta aqui uma homenagem a esse importante sindicalista, que serve de exemplo para todas as gerações que vieram depois. Você começou a trabalhar no banco em 1956. Como era ser bancário naquele tempo?
O mais importante é que não tinham demissões. Era muito raro o banco mandar o bancário embora. Tínhamos também o IAPB (Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários), que cuidava da nossa saúde melhor que qualquer plano particular. Por outro lado não tínhamos uma organização nacional da categoria. As negociações com os bancos eram regionalizadas, por isso tínhamos salários e benefícios diferentes em cada lugar do país.
E como era o Sindicato nos anos 50?
Eu sempre participei do Sindicato, me filiei logo que entrei no banco. Em 1961, com a renuncia do Jânio Quadros e a ascensão do João Goulart, o movimento sindical ganhou forças e começou a se agitar. Em 61 participei da minha primeira greve, que durou nove dias e nos trouxe uma série de conquistas. Por exemplo, os bancários deixaram de trabalhar aos sábados.
Aí veio a ditadura em 1964. Como foi?
Foi complicado, tínhamos uma diretoria combativa e logo os militares decretaram a intervenção em nosso sindicato. Os interventores tentaram conduzir normalmente as campanhas salariais, mas não conseguiam nem dirigir uma assembléia. Em 66, a Delegacia Regional do Trabalho determinou que a eleição do nosso Sindicato só podia ter uma chapa. Juntamos todas as correntes políticas numa única chapa e elegemos a nova direção. Mas em 68, a ditadura militar endureceu o regime, com a edição do Ato Institucional 5. Sete diretores foram cassados. Em 1972 veio a segunda intervenção, que durou até 79. Era um clima muito difícil, telefonávamos um para o outro para ver se o dirigente chegou bem em casa. Os sindicalistas eram presos, eu mesmo cheguei a ser detido. Nunca fui torturado fisicamente, mas recebia ameaças constantemente. Nunca comentei isso com ninguém, é a primeira vez que falo no assunto.
E em 1979 os bancários conseguiram retomar o Sindicato?
Foi preciso três eleições para conseguirmos tomar posse. As duas primeiras foram anuladas. Ganhamos no voto com o apoio da ampla maioria dos bancários. Aí conseguimos ampliar nossa luta, não só pelas questões da categoria, mas também pela redemocratização do Brasil. Era um momento de agitação política muito grande. Os bancários, junto com os metalúrgicos, foram fundamentais para a redemocratização do país. E justo quando a ditadura acaba, em 1985, a diretoria que o senhor compunha perdeu as eleições para o pessoal que hoje está na outra chapa. O que aconteceu? A derrota foi uma surpresa muito grande, mas perdemos por nossa causa mesmo, por divergências internas. Mas, em 1991 conseguimos voltar para o Sindicato, vencendo a diretoria de então nas eleições.
Como vocês encontraram o Sindicato depois da gestão do pessoal que hoje integra a outra chapa?
Naquela época, eles se organizavam numa corrente política chamada Convergência Socialista, que hoje se transformou no PSTU e no Comlutas. Eles arrasaram o Sindicato quando passaram por aqui. Tanto é que em 1991, nossa entidade não tinha condição financeira nem para realizar um segundo turno nas eleições. Nossas finanças estavam combalidas e a administração estava em estado precário. Tivemos um trabalho muito grande. Haviam 78 títulos protestados e nenhum dinheiro em caixa. Além disso, o pessoal que hoje está na outra chapa colocou 238 pessoas indicadas para trabalhar no Sindicato com estabilidade. A primeira gestão que fizemos depois deles foi para colocar a casa em ordem e reorganizar o Sindicato. Foi uma tarefa bastante difícil, mas fomos acertando o Sindicato na medida do possível.
Depois de 52 anos de banco, praticamente o mesmo tempo na militância e 20 anos de diretoria, você está deixando o Sindicato. Qual é o sentimento?
Acho que o melhor sentimento para expressar o que sinto é o agradecimento. Sou grato à categoria que sempre me apoiou, em várias gerações. Também estou triste porque não consegui resolver todas as necessidades dos trabalhadores. Mas tenho certeza que, se não fiz o que queria, fiz o que podia. Agora fica para as próximas gerações, tenho certeza que o pessoal da CHAPA 1 vai dar continuidade à luta dos bancários com bastante dignidade e compromisso.
Entrevisa com Almir Aguiar
Quando o bancário Almir Aguiar nasceu, Jorge Couto já tinha anos de trabalho no banco. A convivência de gerações foi salutar para o Sindicato, que teve os dois como diretores nos últimos anos. Cumprindo o ciclo da vida, Couto deixa o Sindicato e Almir Aguiar se candidata pela primeira vez à presidência da entidade. Confira na entrevista o que pensa o candidato que encabeça a CHAPA 1. Quais os principais desafios da próxima diretoria do Sindicato?
O principal é a manutenção dos empregos. Estamos passando por um processo de fusão e aquisição muito grande entre os bancos e a defesa dos empregos acaba sendo a prioridade. Mas temos várias demandas, como a agravamento dos problemas de saúde dos bancários. As pessoas ainda não se deram conta da gravidade do problema que vem afetando a saúde dos bancários, principalmente na questão psicológica. Além disso, tem a luta de sempre, por salários mais dignos. Precisamos também defender as nossas conquistas para que não haja retrocesso e avançar nas propostas que ainda não conseguimos arrancar dos bancos.
Mudou muito o perfil da categoria nos últimos anos?
Sim, porque os bancos mudaram. Hoje são holdings, que controlam diversas atividades. As agências viraram pontos de venda de produtos e serviços. Isso trouxe muitas mudanças na atividade e na forma de trabalhar. Antes tínhamos volume de atendimento, muitos caixas. Hoje temos metas de vendas e muitos gerentes. Isso muda muito o perfil da categoria.
Quando você entrou no banco, em 1986, era muito diferente esta questão das metas?
Era muito mais tranqüilo, não tinha essa exigência que tem hoje. A categoria está adoecendo por causa das metas e muitas demissões ocorrem em função delas. Estamos acompanhando de perto essa questão e constantemente fazemos campanhas contra o assédio moral. O fim das metas abusivas tem integrado todas as discussões que fazemos com os bancos.
E a questão da segurança, também é um problema grave hoje?
Sim, os bancos têm investido muito mais na automação que na segurança bancária. Estamos cobrando os bancos com veemência para que implantem portas giratórias em todas as agências, aumentem o efetivo de seguranças e cumpram as leis que garantem os equipamentos que os locais de trabalho precisam para proteger a vida dos clientes e bancários. A realidade aqui do Rio é mais violenta, por isso precisamos de planos específicos para cá. Os assaltos têm aumentado e a própria Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) tem proposta para garantir mais segurança.
Você falou na Contraf. Qual a importância da organização nacional da categoria e a unidade entre os sindicatos?
É de suma importância a unidade e nesse sentido a filiação à Contraf e à CUT é fundamental para que os sindicatos trabalhem em sintonia nacionalmente. Se hoje conseguimos negociar uma Convenção Coletiva Nacional com a Fenaban é por causa dessa organização, que nos trouxe muitos avanços. Além disso, com a Central, os trabalhadores podem se organizar enquanto classe e se fortalecer para garantir reivindicações comuns. Também temos a filosofia do sindicato cidadão, que atua voltado para as questões sociais. Assim, extrapolamos as fronteiras da luta de uma categoria para construirmos uma luta muito maior. Foi isso que fizemos ao longo dos últimos mandatos e, com a CHAPA 1 eleita, não será diferente. Vamos dar continuidade em todos os pontos importantes que estão dando certo e lutar para avançar sempre e conquistar mais benefícios para os bancários.
Entrevista Vinícius Assumpção
Depois de seis anos sob o comando do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, o presidente Vinícius Assumpção deixa o cargo, mas não sai da militância. Ele é candidato para a direção executiva da entidade pela CHAPA 1. Nesta entrevista, Vinícius faz um balanço da sua gestão e fala sobre a importância da renovação. Que balanço você faz dos seis anos que esteve na presidência do Sindicato?
O balanço é positivo, fizemos as melhores campanhas salariais dos últimos tempos. A mobilização dos bancários cresceu aqui na região e, com mais pressão, conseguimos arrancar dos bancos sucessivos aumentos reais de salários em todos os anos desde 2003, além de melhorar a nossa PLR e garantir a incorporação da 13ª cesta alimentação como benefício permanente da categoria. Combatemos com seriedade as terceirizações e somos o Sindicato que mais reintegra os bancários ao emprego no Brasil. Implementamos novas medidas administrativas melhorando a gestão do Sindicato. Investimos também em nosso patrimônio, com a reestruturação da sede social e melhorias na sede campestre, além da renovação da frota de veículos. Saio da presidência com a sensação do dever cumprido.
Você tem a aprovação da categoria, que te reelegeu, e em várias pesquisas é avaliado positivamente pelos bancários. Por que está deixando a presidência do Sindicato?
Acredito na renovação e acho que seis anos foram suficientes para implantar as propostas que sempre defendi para os bancários. Agora chegou a vez de passar o bastão e faço isso com prazer, porque sei da integridade e do compromisso que o companheiro Almir Aguiar tem com os bancários. Por isso continuo na CHAPA 1 e, com todo o trabalho que tenho para apresentar, sinto-me à vontade para pedir o voto dos bancários.
Durante a sua gestão, os bancários consolidaram a organização nacional da categoria, principalmente no que diz respeito aos bancos públicos, que passaram a cumprir a Convenção Coletiva. Qual a importância dessa unidade entre os bancários do país inteiro?
É muito grande. Tanto é que os banqueiros sempre atuaram de forma coordenada e conseguiram se transformar no setor mais lucrativo do Brasil. Por isso temos de lutar unidos para conseguirmos fazer o enfrentamento com os patrões e garantir os avanços em nossas conquistas. Com a estratégia da negociação geral com a Fenaban complementada por discussões específicas com cada banco, aumentamos o nosso poder de pressão e conseguimos ganhar muito mais. Para quem não sabe, entre os banqueiros não tem divisão não. Antes eles tinham a Fenaban e agora eles têm a Consif, que é o grande sindicato deles.
A CHAPA 1 já conquistou muito para os bancários. E vai conquistar muito mais
Emprego
Diante das fusões e aquisições que estão agitando o sistema financeiro nacional, a defesa do emprego dos bancários é prioridade. Para proteger o trabalhador, a CHAPA 1 vai intensificar as fiscalizações para garantir o cumprimento da jornada de 6h, negociar com os bancos em processo de fusão e aquisição o compromisso formal pela garantia de emprego, continuar o combate à precarização, além de continuar a pressão sobre o Congresso Nacional pela ratificação da Convenção 158 da OIT, que impede as demissões imotivadas. Novas admissões são necessárias.
Saúde e prevenção
As doenças ocupacionais têm aumentado de forma assustadora entre os bancários. As lesões por esforço repetitivo (LER/Dort) é uma das causas do adoecimento. As pressões pelo cumprimento das metas também têm prejudicado a saúde, principalmente com doenças ligadas à questão emocional. A CHAPA 1 vai continuar pressionando os bancos para garantir políticas de prevenção às doenças ocupacionais, criar um banco de dados com as principais causas do adoecimento e referenciar as perícias médicas do INSS com os problemas mais comuns na categoria.
Salários maiores
A luta para melhorar os salários dos bancários vai continuar no mesmo ritmo dos últimos anos, período em que a categoria conquistou sucessivos aumentos reais. A CHAPA 1 não vai deixar os bancos usarem a desculpa da crise financeira para encerrar o ciclo de reajustes acima da inflação. Também lutaremos por novos planos de cargos e salários em todos os bancos e pela valorização dos pisos iniciais da categoria, além do estabelecimento de um piso para os comissionados.
PLR mais justa
Os integrantes da CHAPA 1, por meio do Sindicato, já conseguiram valorizar a participação nos lucros nos últimos anos. Mas deve melhorar diante dos altos lucros. Vamos intensificar as negociações para ampliar a PLR, garantindo a distribuição de mais 5% do lucro líquido de forma linear, além do que já está assegurado na Convenção Coletiva.
Assédio Moral
Ampliar a luta contra o assédio moral e pela aprovação de uma legislação nacional específica que coíba o problema que hoje é muito comum nos bancos por causa das metas inatingíveis. A CHAPA 1 também vai aumentar a fiscalização nos locais de trabalho e continuar a luta pelo fim das metas excessivas.
Trabalho decente
Lutar por melhores condições de trabalho é um compromisso permanente da CHAPA 1. Principalmente no que diz respeito às terceirizações e os diversos projetos de lei de deputados comprometidos com os bancos que regulamentam a figura do correspondente bancário de forma equivocada.
Segurança
Continuar a luta pela implantação de portas giratórias e sistema de segurança em todas as agências. Acabar em definitivo com o transporte irregular de valores e pelo aumento do número de vigilantes nas agências. Em paralelo, a CHAPA 1 vai pressionar o município para criar uma comissão de segurança bancária com a participação de todos os órgãos públicos envolvidos, nos mesmos moldes da que existe em âmbito federal.
Mulheres
Ampliar a luta pela igualdade de oportunidades, garantindo a ascensão na carreira com os mesmos salários pagos aos homens; combater o assédio sexual.
Sindicatomóvel
A CHAPA 1 cumpriu o compromisso assumido na campanha passada e o Sindicatomóvel já é uma realidade. Agora, vamos ampliar sua presença nas diversas regiões da cidade, facilitando o acesso dos bancários aos serviços do Sindicato. As datas e os locais serão divulgados pelo Jornal Bancário para o trabalhador se programar.
Cinema dos bancários
Vamos retomar o Cinesind, agora com mais conforto após a reforma do salão social do Sindicato. O espaço exibirá gratuitamente filmes nacionais e estrangeiros, assim como a produção independente dos bancários (curta e longa).
Cultura e lazer
Vamos utilizar os espaços do Sindicato – sedes social e campestre – para oferecer mais cultura e lazer aos associados. A CHAPA 1 vai fazer convênios para promover oficinas de dança de salão, teatro, culinária, teclado, pintura, danças afro e do ventre e ioga, entre outras modalidades. Os professores, de preferência, serão os próprios bancários. O projeto abrirá também espaço para várias formas de expressão artística da categoria, como literatura, poesia, teatro, música, artes plásticas e fotografia, promovendo exposições, saraus e concursos, assim como a publicação de livros com os materiais selecionados. Convênios A CHAPA 1 vai ampliar a vasta rede de convênios para garantir isenções e descontos em eventos culturais, cursos, faculdades, serviços e oficinas.
Sede campestre
A reforma da sede campestre é mais um compromisso da CHAPA 1 assumido nas últimas eleições que foi cumprido. O objetivo agora é continuar as obras para melhorar o espaço e realizar novas atividades de recreação para os bancários sindicalizados. Conforme prometido na eleição passada, a CHAPA 1 já adaptou os espaços e implantou as escolinhas de futebol e de vôlei de areia, além de melhorar toda a infra-estrutura da sede.
Organização no local de trabalho
Os bancários, com muita pressão, já conquistaram a criação dos delegados sindicais que trabalham dentro de alguns bancos. Nossa luta agora é para implementar esta importante figura no maior número possível de unidades e, assim, aproximar ainda mais o Sindicato do dia-a-dia dos bancários.
Comunicação
Aproveitar as novas possibilidades multimidias para intensificar a comunicação sindicato-bancários-sindicato de modo que tenhamos agilidade no recebimento de demandas e denúncias e o pronto retorno. Também é fundamental no mundo de hoje o envio de informação em tempo real e com baixo custo
CHAPA 1 é de luta
Uma das principais bandeiras da CHAPA 1 é a defesa do emprego, ameaçado com as fusões e aquisições que tem reconfigurado o sistema bancário no Brasil
Em tempos de fusão e aquisição entre os bancos, a questão do emprego é uma grande prioridade para os bancários. O Sindicato do Rio de Janeiro tem atuado para conquistar garantias formais para os trabalhadores em diversas frentes de ação: da negociação banco a banco até a pressão para que o Congresso Nacional aprove uma legislação que proteja os empregos no sistema financeiro. Luta que tem ganhado força graças à unidade da categoria em todo o Brasil. Uma das muitas formas de proteger o emprego é com a redução dos juros. Com mais crédito e menores taxas, as empresas teriam mais dinheiro para investir, o trabalhador teria mais emprego e a roda da economia giraria com mais força, fazendo com que o país cresça e se desenvolva com melhor distribuição de renda.
Por isso que os bancários da CHAPA 1 protestaram no último dia 11 em frente ao prédio do Banco Central no Rio de Janeiro. O objetivo era pressionar o Comitê de Política Monetária (Copom) a baixar a taxa básica de juros da economia, a Selic. O ato, promovido pela CUT em todas as capitais, e a pressão popular deram resultado e no mesmo dia a Selic sofreu um corte de 1,5%, que reduziu a taxa para 11,25% ao ano.
A queda nos juros e o aumento no crédito são bandeiras que a CHAPA 1 empunha há muito tempo. Nas últimas campanhas salariais, o Sindicato cobrou com veemência dos bancos a diminuição dos spreads e a ampliação do crédito.
A luta dos bancários tem sido árdua, até porque convencer os bancos a diminuir sua margem de lucro em proveito do país não é tarefa fácil. Mas, com unidade entre os sindicatos do país inteiro, os bancários vão vencer mais esta batalha, que não favorece somente a categoria. É excelente para o Brasil inteiro.

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